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O projeto pioneiro, em operação desde agosto deste ano, está instalado na cidade de Rosana, região de São Paulo, e sua produção mensal é capaz de alimentar mais de mil residências.

Uma tendência nos países que investem na tecnologia fotovoltaica, as usinas solares flutuantes ganham cada vez mais destaque, devido as suas vantagens em relação as usinas instaladas em terra, e novos projetos estão sendo implantados em vários lugares do mundo. Prestes a completar dois meses de operação, a primeira usina flutuante em operação no Brasil está instalada no estado de São Paulo, cidade de Rosana, no reservatório da hidrelétrica de Porto Primavera.

O projeto, comissionado pela CESP (Companhia Energética de São Paulo), foi iniciado em 2014 e é de autoria do projetista elétrico Tiago Marin, da empresa Blue Sol Energia Solar. Este é o primeiro projeto de usina flutuante do mundo a ser instalado em um reservatório de uma usina hidrelétrica. Além do projeto, a empresa de Ribeirão Preto também atuou com o fornecimento dos equipamentos (exceto o flutuador) e instalação.

Marin explica os benefícios desse tipo de instalação, “Quanto a sua importância, é um projeto que abre os olhos para uma nova maneira de aproveitar os recursos que temos para geração de energia, neste caso, é utilizado uma pequena parte do reservatório da hidrelétrica que não teria outra utilidade, evitando também a desapropriação de terras.

Existem também os benefícios técnicos, por exemplo, se compararmos a geração de energia de um sistema flutuante com um sistema instalado em telhado ou solo, veremos que ele possui rendimento superior devido ao resfriamento da água”.

Diante dessas vantagens, outros projetos semelhantes já estão em andamento nas cidades de Balbina, no Amazonas, e em Sobradinho, na Bahia. Tais projetos possuem grande potencial de instalação no Brasil e podem levar eletricidade a uma parcela da população que não conta com o acesso a rede elétrica, como comunidades ribeirinhas e isoladas. “Benefícios financeiros também podem ser levados em consideração. Um sistema flutuante instalado dentro do reservatório de uma hidrelétrica reduziria os custos, uma vez que poderiam ser utilizadas as subestações e linhas de transmissão da própria usina” explica Marin.

Ocupando uma área de 500m² dos 2.250 existentes no reservatório, a usina conta com duas plantas de módulos fotovoltaicos flutuantes de 25kW, uma de painéis rígidos e outra de flexíveis, além de mais 100 painéis rígidos de 250 watts e 180 flexíveis de 144 watts. Fora esses, ainda existem duas plantas instaladas em terra, uma de painéis rígidos e outra de flexíveis, ambos de 250kW.

Todos esses módulos geram uma potência mensal de 101.522 kWh (quilowatt-hora), o suficiente para abastecer mais de mil casas com consumo de até 100kWh. A dimensão desse tipo de projeto gera outra vantagem que vai além da geração limpa de energia, ao ficarem acima da lâmina d’agua e bloquearem a luz e calor do sol, os painéis ajudam a diminuir a evaporação da água, uma bem-vinda ajuda para os já escassos reservatórios das hidrelétricas, que sofrem com os longos períodos de estiagem no país.

O secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles, lista os ganhos que essa iniciativa trará ao estado “Nosso objetivo é testar essas tecnologias inovadoras para poder fornecer esse conhecimento para as empresas do setor instaladas no Estado e popularizar o uso das energias renováveis”.

Fonte de informação: Governo do Estado de São Paulo – Secretaria de Energia e Mineração

Sergio Santos Pereira é diretor comercial da SOLISTEC | Energia Solar e gestor ambiental. Formação técnica como auditor líder da norma NBR ISO 14.001, auditor interno de gestão Integrada e integrador/intermediador de energia solar fotovoltaica.
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